
O reator de US$12,8 bilhões (€10 bilhões) será construído em Cadarache, sudoeste da França, ao longo de uma década, começando em 2008. Originalmente chamado de Reator
Termonuclear Experimental Internacional, a instalação é agora conhecida oficialmente por suas iniciais ITER (que, em latim, significa "o caminho").
Ao invés de dividir o núcleo de um átomo - o princípio por trás da atual geração de energia nuclear - o projeto irá tentar fundir núcleos atômicos.
Em uma reação de fusão, a energia é liberada quando núcleos atômicos leves - os isótopos de hidrogênio deutério e trício - são fundidos para formar um núcleo atômico pesado. Para dominar a fusão como uma fonte de energia, entretanto, é necessário aquecer um gás a temperaturas acima de 100 milhões de graus Celsius. Isso é muitas vezes mais quente do que o centro do Sol.
Um dos atrativos da fusão é a quantidade mínima de combustível necessário - a liberação de energia de uma reação de fusão é 10 milhões de vezes maior do que em uma típica reação química, tal como a queima de um combustível fóssil.
Construindo uma mini-estrela
Explorando um campo absolutamente novo, literalmente tentando construir uma mini-estrela isolada no interior de um campo magnético, os cientistas devem comprovar que cada detalhe de sua teoria funciona conforme eles vão construindo os equipamentos que devem funcionar com base nessas teorias.
E eles estão em festa. Acaba de ser comprovado o funcionamento das bobinas de campo poloidal supercondutoras, que serão utilizadas para manter o equilíbrio do plasma e o seu formato no interior do reator tokamak do ITER.
"Isto é um salto para a comunidade da fusão nuclear. Nós testamos e demonstramos com sucesso uma tecnologia-chave que é essencial para o sucesso do ITER," afirmou Didier Gambier, diretor do projeto.
Ligas supercondutoras de nióbio-titânio
Feita de ligas supercondutoras de nióbio (Nb) e titânio (Ti), a bobina testada atingiu uma operação estável de 52 kA em um campo magnético de 6,4 Tesla. A bobina tem um diâmetro externo de 1,5 metro e pesa 6 toneladas.
Os fios individuais de nióbio-titânio, com diâmetro de 0,73 milímetro, foram fabricados na Rússia, um dos parceiros do projeto, ao lado do Japão, União Européia, China, Índia, Coréia do Sul e Estados Unidos.
Exatamente 1.440 desses fios foram tecidos em um cabo supercondutor, encapsulados em uma armação de aço, revestidos por uma camada de isolamento e, finalmente, utilizados para a construção da bobina.
Reator de fusão nuclear
O ITER, quando pronto, deverá ser o primeiro protótipo experimental a demonstrar a viabilidade científica e técnica da fusão nuclear para a geração de energia.
Quando núcleos de átomos leves se fundem para formar átomos mais pesados, a reação libera uma quantidade imensa de energia - este é o mesmo processo que alimenta o Sol e todas as estrelas.
Se o ITER tiver sucesso, usinas em escala comercial poderão começar a ser construídas para explorar a "energia das estrelas", sem radioatividade e sem poluição
No entanto, o projeto tem sido criticado por grupos ambientalistas como o Greenpeace, que argumenta que o enorme custo irá desviar fundos de outras áreas da pesquisa de energias alternativas, sem nenhuma garantia de que um método efetivo de simular e controlar o processo de fusão possa vir a ser alcançado.
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